A descoberta do autismo, 2015 foi o ano mais difícil de nossas vidas – Por Kellen Brodella

Convidamos uma mãe que ao descobrir o TEA (Transtorno do Espetro Autista) em seu filho mais novo com 1 ano e 10 meses, quando já tinha seu filho mais velho com 3 anos, afirma que era inevitável a comparação nos desenvolvimentos.

A princípio, para nós, era um atraso na fala, misturado com muito mimo.
Passamos no pediatra, e ele nos encaminhou para um otorrino, porque ele poderia não falar por não escutar  e nessa consulta já disse a nós que poderia se trata de autismo.

Fizemos o exame,  é até pecado, mas eu rezava pra ele ter algum problema na audição, mas nada, escuta perfeitamente.
O pediatra, nos encaminhou para um neurologista (disse que ele não tiraria nosso carro, nossa casa, hoje eu entendo o porque o dinheiro realmente vai embora), renomado lá no Hospital Einstein, que para meu azar, ficou 15 minutos escutando o que tínhamos pra falar do Miguel, e nos respondeu sem exitar: é seu filho tem sintomas de autismo e vamos entrar com medicação. Meu chão caiu, fiquei arrasada, não sabia o que fazer, nunca tinha ouvido falar de autismo, a não ser uma personagem de novela e no filho do Marcos Mion. Minha falta de conhecimento era tamanha que falei pro meu marido: se ele melhorar eu dou o remédio. Nossa como é difícil, não saber o que fazer, por onde começar, a incerteza do futuro dele, um misto de sensações que não consigo explicar. Começaram o por quê com a gente? O que fizemos pra merecer? Perguntas que são difíceis de serem respondidas. Fomos procurar outros profissionais, porque o primeiro neurologista não foi bom pra nós. Encontramos uma psiquiatra especialista em autismo, que foi totalmente diferente. Sentou no chão com ele e lá ficou por 1:30.
Pontuou os sintomas que ele tem (é leve, não é um autista clássico), disse que não poderia fechar o diagnóstico antes dos 7 anos (aqui no Brasil não fecham antes dessa idade), e disse que tínhamos que começar a intervenção (Psicóloga ABA e Fono).
Começa outra luta, à procura destes profissionais em Arujá, cidade que moramos. Não tem!
Achamos uma clínica especialista de Fonoaudiologia em Guarulhos e dois meses depois, uma psicóloga que vinha em casa fazer a terapia. Ele começou a equoterapia nessa época também.
Ele tem condições de sair do espectro (tenho certeza que vai), os sintomas desaparecem e ele terá uma vida “normal”.
Levei ele até Miami, no neurologista que hoje é referencia no assunto (o médico do filho do Marcos Mion) e ele disse que estamos no caminho certo, para intensificar os tratamentos. E fechou o diagnóstico, sem dúvidas ele é autista.
Aqui no Brasil é muito difícil, pelo péssimo governo e pela ausência de profissionais, mas estamos fazendo tudo que esta no nosso alcance.
É uma batalha e uma vitória diária.
O dia mais difícil pra mim, foi quando o levei no Hospital Sabará e a enfermeira me deu senha preferencial por ele ser autista.  Fiquei arrasada, daria minha vida pra esperar 100 crianças serem atendidas antes de nós, mas hoje vejo que é necessário. Eles são impacientes e nervosos.
Em meio a tudo isso, não pudemos esquecer que tinha o Pedro, uma criança também, que não entenderia se eu falasse, seu irmão é autista,  por isso ele tem tanta coisa pra fazer.
Para o  Pedro os tratamentos eram diversão, e ele não fazia nada. Pediu-me pra fazer Fonoaudióloga tadinho.
Esse ano ele esta fazendo muitas atividades e está bem melhor (ano passado estava meio rebelde).
E por falar em Pedro, ele é o maior protetor e melhor amigo do irmão. Sem nem saber a importância de tudo isso. Cuida, não deixa ninguém chegar perto dele, nem nós podemos dar um bronca no Miguel que ele sai na frente falando que não é pra brigar com o irmão dele.
Hoje com 5 anos, com as terapias, a escola, e com muito amor, o Miguel não tem mais crises nervosas (nunca tomou remédio), atende ao nome, aponta o que quer e fala algumas palavras . É carinhoso, inteligente e feliz!
O autismo tem um leque extenso e complexo de sintomas. Não existem dois autistas iguais.
E em meio a toda essa dificuldade, o que nós conseguimos é agradecer pelo Miguel, se Deus quis assim, é porque somos capazes de cuidar e amá-lo.
E também enxergar a vida de outro ângulo, mais puro, e mais simples.

Por Kellen Brodella

Mãe do Pedro e Miguel

 

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