Brincar em contato a natureza é necessário!

Eu sempre valorizei muitos os pés descalço na grama, brincadeiras fora de casa ao ar livre e céu aberto. Não há nada melhor e está comprovado que o brincar em contato com a natureza estimula o desenvolvimento infantil.

É necessário refletir sobre o modo de vida e de desenvolvimento que estamos adotando nas cidades, tendo em vista que somos uma sociedade predominantemente urbana. Como o mundo atual está acolhendo as novas gerações?

Os efeitos da urbanização, entre eles o distanciamento da natureza, a redução das áreas naturais, a poluição ambiental e a falta de segurança e qualidade dos espaços públicos ao ar livre nos levam – adultos, jovens e crianças – a passar a maior parte do tempo em ambientes fechados e isolados. Esse cenário traz um ônus muito alto para o desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes e, consequentemente, para a saúde do planeta, pois – já é tempo de reconhecer – o bem-estar das crianças e jovens e a saúde da Terra são interdependentes.

Diversos fatores são responsáveis pelo contexto de confinamento ao qual todos estamos sujeitos: dinâmica familiar,  planejamento urbano, mobilidade, uso de eletrônicos, consumismo, desenvolvimento econômico, desigualdade social, insegurança, violência, conservação da natureza e educação. Trata- -se de um cenário complexo, cujos fatores estão inter-relacionados e que variam de intensidade, dependendo da condição socioeconômica e da realidade específica de cada um.

Assim, os impactos do confinamento e da falta de contato com natureza e ambientes saudáveis são mais agudos e presentes nas cidades e bairros densamente habitados e de alta vulnerabilidade social, onde as condições para uma vida saudável e plena estão ameaçadas. Esse cenário vem se agravando nos últimos anos e é particularmente crítico quando se trata da infância e da adolescência, com indicadores que se destacam em diversos setores.

Paralelamente, muitas pesquisas surgiram nos últimos anos mostrando que o convívio com a natureza na infância e na adolescência melhora o controle de doenças crônicas como diabetes, asma, obesidade, entre outras, diminui o risco de dependência ao álcool e a outras drogas, favorece o desenvolvimento neuropsicomotor e reduz e da realidade específica de cada um. Assim, os impactos do confinamento e da falta de contato com natureza e ambientes saudáveis são mais agudos e presentes nas cidades e bairros densamente habitados e de alta vulnerabilidade social, onde as condições para uma vida saudável e plena estão ameaçadas. Esse cenário vem se agravando nos últimos anos e é particularmente crítico quando se trata da infância e da adolescência, com indicadores que se destacam em diversos setores os problemas de comportamento, além de proporcionar bem-estar mental, equilibrar os níveis de vitamina D e diminuir o número de visitas ao médico. O contato com a natureza ajuda também a fomentar a criatividade, a iniciativa, a autoconfiança, a capacidade de escolha, de tomar decisões e resolver problemas, o que por sua vez contribui para o desenvolvimento de múltiplas linguagens e a melhora da coordenação psicomotora. Isso sem falar nos benefícios mais ligados ao campo da ética e da sensibilidade, como encantamento, empatia, humildade e senso de pertencimento.

Acervo pessoal

A literatura demonstra que o ato de brincar durante a infância e adolescência está associado ao desenvolvimento cerebral ótimo, pois as experiências vivenciadas durante esse período, no qual as janelas de oportunidades estão abertas, são enviadas e traduzidas em conexões sinápticas essenciais para a maturação adequada do cérebro e para o desenvolvimento neuropsicomotor satisfatório. Como resultado, as crianças e adolescentes terão melhorias nas funções executivas, linguagem, habilidades matemáticas, integração sensorial, capacidade de pensar criativamente e de realizar multitarefas, contribuindo para a formação de adultos saudáveis com potencial cerebral plenamente desenvolvimento.

Crianças de 7 a 9 anos que brincam de forma fisicamente ativa, e a natureza é um espaço privilegiado para isso, apresentam melhor capacidade cognitiva e de focar a atenção, assim como diminuição dos transtornos de sono, por exemplo. Brincar com brinquedos tradicionais (versus eletrônicos, principalmente os não-interativos) está associado a aumento qualitativo e quantitativo da aquisição de linguagem. Por outro lado, há estudos associando a falta de brincar com aumento da prevalência de estresse tóxico e de transtornos comportamentais17, como o de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a depressão.

Dicas para colocar em prática esse contato com a natureza:

– Guarde algum tempo – ao menos uma hora por dia – para que seu filho (a) possa brincar ao lado de fora com liberdade e autonomia, não é preciso procurar lugares distantes ou perfeitos – a natureza próxima, aquela que é acessível, é o suficiente: um passeio na rua, o pátio do prédio, a praça mais próxima

– Realize os deslocamentos rotineiros da criança, do adolescente (casa – escola – casa, atividades extracurriculares e outras) e da família a pé,

– Sirva de exemplo, vá para fora de casa. Reserve tempo nos finais de semana para atividades ao ar livre com seu filho. Pode ser um simples passeio no parque, na praça, uma brincadeira com bola ou uma volta de bicicleta. Torne seu final de semana e de sua família ativo e saudável. Seu exemplo será fundamental para que seus filhos estabeleçam uma relação duradoura com a natureza.

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– Monte um pequeno kit para levar nos passeios em família com a intenção de ajudar a criança a explorar ainda mais aquilo que despertou seu interesse. Sugestões: papelão para descer barrancos, lupas para investigar pequenos animais, ou plantas, potes para guardar achados, bola e frisbee, cordas e tecidos para construir uma cabana. Um kit piquenique com utensílios não descartáveis também é uma ótima ideia.

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– Convide outras famílias ou crianças para passarem tempo ao ar livre em atividades de lazer. A ideia é encontrar companhia para caminhar, brincar, andar de bicicleta, cuidar de parques e praças, observar aves, fazer um piquenique, ou ainda organizar ruas de lazer temporárias no seu bairro.

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– Não existe clima ruim, só roupas impróprias. Encoraje seu filho a interagir com o ambiente natural em todas as condições climáticas -Conte ao seu filho histórias sobre a sua infância, as brincadeiras que fizeram parte dela e o papel das áreas naturais e dos espaços abertos nesse período da sua vida. Lembre-se de como essas experiências foram importantes e formadoras para você e ajude seu filho a viver experiências semelhantes

– Planeje festas de aniversário ao ar livre. Praças e parques são ótimas opções de espaço para festas infantis, além de terem custo baixo

– A vida ao ar livre é um dos melhores antídotos contra a intoxicação digital que ameaça as crianças e adolescentes.

– O que você mais gosta de fazer dentro de casa? Tente fazer a mesma coisa do lado de fora!

Acervo pessoal

 

– Pratique atividade física ao ar livre em grupo ou com familiares. Vale qualquer coisa: bicicleta, patins, vôlei, basquete, futebol, natação, surf, caminhadas etc.

– Cultive plantas, vasos ou uma pequena horta. É incrível acompanhar o desenvolvimento de uma planta e usá-la em suas próprias receitas. Se você quiser ir ainda mais longe, comece uma horta comunitária com a ajuda de sua família e de seus vizinhos.

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Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes – 2019

 

 

 

 

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