Déficit de crescimento na criança

Receber informação no tempo correto auxilia pais a identificarem um possível déficit de crescimento em seus filhos.

Toda criança possui um processo individual de crescimento, que é um dos melhores indicadores do estado de sua saúde, e por conta disso, é importante que os pais sempre estejam sempre atentos ao desenvolvimento de seus filhos.

Os pais podem perceber que uma criança apresenta problemas de crescimento? Existem indicações?


Toda criança deve ser medida e pesada pelo menos uma vez ao ano. Desta forma se tem uma avaliação contínua do crescimento e qualquer desvio do normal será percebido rapidamente. Este acompanhamento regular deveria ser seguido rigorosamente por todos, para iniciar em tempo o tratamento de reposição de GH (sigla do inglês growth hormone), que é indicado em todo indivíduo, que apresente deficiência da produção de GH pela hipófise3. Em média, pacientes a partir de 7 anos de idade podem começar o tratamento4.

O déficit de crescimento pode ocorrer a qualquer momento durante a infância, e o sinal mais claro a ser notado é a diferença de altura da criança1 em comparação com as outras da sua idade. Segundo a curva de crescimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), a baixa estatura é definida quando a altura dos indivíduos se encontra abaixo do percentil 32. 

“O hormônio de crescimento é uma substância produzida por uma glândula no cérebro, denominada hipófise, que ajuda os ossos, dentes e músculos a se desenvolverem como devem. Ele também afeta a maneira como o corpo usa a proteína, gordura e açúcar provenientes da alimentação. Quando o corpo não produz naturalmente hormônio do crescimento suficiente, o paciente pode obter uma quantidade extra do GH que precisa, tomando medicamento” explica Dra. Bruna Tincani, Endocrinologista Pediátrica pela Universidade Estadual de Campinas.

Além disso, na infância, o GH também pode ser benéfico na baixa estatura em meninas com Síndrome de Turner, em crianças nascidas pequenas para a idade gestacional, em crianças com insuficiência renal crônica, entre outros3.

O tratamento com GH é feito por meio de injeções diárias, por via subcutânea, não estando disponíveis outras formas de administração, como em comprimidos, por exemplo3, e somente deve ser indicado e acompanhado por um médico especialista.

Outras dúvidas sobre o crescimento infantil:

Normalmente, até quantos anos uma pessoa pode crescer? Existe diferenciação entre homens e mulheres?
Muitas pessoas acreditam que os jovens crescem até os 18 ou até os 21 anos de idade, associando crescimento com maioridade legal. Entretanto, esta não é a realidade. O crescimento é um processo bastante dinâmico que inicia na concepção e se estende até a vida adulta, ocorrendo em intensidades variáveis nas diferentes fases da vida de uma criança e de um adolescente. Cada pessoa irá crescer enquanto seus ossos tiverem cartilagens de crescimento não calcificadas, independentemente da idade cronológica que ela apresente. O amadurecimento e a calcificação destas cartilagens de crescimento dependem principalmente da puberdade. Tomemos como exemplo dois jovens de mesma idade cronológica, porém em diferentes estágios de puberdade: aquele com um desenvolvimento mais avançado da puberdade provavelmente terá as cartilagens mais calcificadas e mais próximo de parar de crescer do que o outro que está apenas na fase inicial da puberdade. Da mesma maneira, uma menina de 10 anos de idade que esteja com as mamas desenvolvidas, com pêlos pubianos e já apresentou a primeira menstruação deve parar de crescer antes do que uma menina de 12 anos de idade que esteja apenas iniciando o desenvolvimento mamário. Este grau de amadurecimento das cartilagens pode ser avaliado com uma radiografia das mãos e dos punhos para avaliação da “idade óssea”.

Há diferença entre meninos e meninas. Nos meninos, a puberdade e o estirão de crescimento começa em média 2 anos mais tarde do que nas meninas. Essa “demora” prolonga o crescimento antes da puberdade, que associado com um estirão mais intenso e um período de crescimento mais prolongado no sexo masculino, resulta que os homens sejam em média 13 cm mais altos que as mulheres.

Fatores genéticos podem influenciar na altura final de uma pessoa?
Sim. A altura de uma pessoa é resultado da combinação de vários genes (“herança poligênica”) oriundos de seu pai e de sua mãe. Em geral, temos 50% de chance de ter uma altura semelhante à do pai ou da mãe, irmãos tem 50% de chance de ficarem com alturas semelhantes e 25% de semelhança pode ser esperado em relação a altura de avós e tios. Em gêmeos monozigóticos (“idênticos”), cuja carga genética é a mesma, a altura final será praticamente igual, desde que ambos passem pelas mesmas condições ambientais ao longo do período de crescimento. Entretanto, se um deles tiver algum problema nutricional ou alguma doença crônica, ele poderá perder altura e ficar mais baixo em relação ao outro que não enfrentou condições desfavoráveis.

A prática de atividades físicas contribui com o crescimento?
Exercícios físicos são excelentes e recomendados para todas as crianças por diversas razões. Além dos benefícios sobre o peso, a musculatura e a mineralização óssea, a atividade física pode corrigir vícios de postura e, com isso, melhorar a estatura de uma criança. Entretanto, a atividade física por si não deve mudar o padrão de crescimento ou mudar a altura que a criança atingirá na vida adulta. Portanto, atividade física deve ser estimulada, mas não deve ser indicada como solução ou tratamento para um problema de crescimento. Além disso, atividade física extenuante ou muito intensa (geralmente praticada por atletas de nível olímpico) pode prejudicar o desenvolvimento puberal e o crescimento de uma criança.

 

Referências

  1. Human Growth Foudation. Human Growth Hormone. Disponível em: <https://www.hgfound.org/growth-hormone>. Acessado em Outubro de 2019.
  2. Travassos, A.C.C.; Sucupira, A.C.S.L. Baixa Estatura. In: Sucupira, A.C.S.L.; et.al. (Eds.). Pediatria em Consultório. 5.ed. São Paulo: Sarvier, p.193 – 203, 2010.
  3. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Disponível em: <https://www.endocrino.org.br/tirando-duvidas-sobre-uso-de-gh/>. Acessado em Outubro de 2019.
  4. SAIZEN®: somatropina. Rio de Janeiro – RJ: Merck S.A. Bula do medicamento. Disponível em: <https://www.merckgroup.com/content/dam/web/corporate/non-images/countryspecifics/brazil/bulario/Saizen_Bula_Paciente_12.03.19.pdf>Acessado em junho de 2019.
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