DESCOBERTA DO AUTISMO – relato de uma mãe

Amanhã dia 02 de abril é o dia da Conscientização do Autismo.

O texto de hoje foi escrito por uma mãe, que quis compartilhar a sua experiência  sobre como foi o processo de descoberta com seu filho.

“O Théo com 1 ano e 10 meses foi diagnosticado dentro do TEA (Transtorno do Espectro Autista), vou contar um pouco como foi.
Como eu tenho o Arthur (na época com 3 anos), era inevitável a comparação nos desenvolvimentos.
A princípio, para nós, era um atraso na fala, misturado com muito mimo.
Passamos no pediatra, e ele nos encaminhou para um otorrino, porque ele poderia não falar, por não escutar, e nessa consulta já disse, pode ser autismo.
Fizemos o exame, e é até pecado, mas eu estava rezando pra ele ter algum problema na audição, mas nada, escuta perfeitamente.
O pediatra, nos encaminhou para um neurologista (disse que ele não tiraria nosso carro, nossa casa, hoje eu entendo o porque o dinheiro voa), renomado lá no Einstein, que para meu azar, ficou 15 minutos escutando o que tínhamos pra falar do Théo e nos respondeu sem hesitar: é seu filho tem sintomas de autismo e vamos entrar com medicação.
Meu chão caiu, fiquei arrasada, não sabia o que fazer, nunca tinha ouvido falar de autismo, a não ser uma personagem de novela e o filho do Marcos Mion.
Minha falta de conhecimento era tamanha que falei pro meu marido: se ele não melhorar eu dou o remédio.
Nossa, como é difícil, não saber o que fazer, por onde começar, a incerteza do futuro dele, um misto de sensações que não consigo explicar.
Começaram os por que com a gente? O que fizemos pra merecer? Perguntas que são difíceis de serem respondidas.
Fomos procurar outros profissionais, porque o primeiro neurologista não foi bom pra nós.
Encontramos uma psiquiatra especialista em autismo, que foi totalmente diferente.Sentou no chão com ele e lá ficou por uma hora e meia.
Pontuou os sintomas que ele tem (é leve, não é um autista clássico), disse que não poderia fechar o diagnóstico antes dos 7 anos (aqui no Brasil não fecham antes dessa idade), e disse que tínhamos que começar a intervenção (Psicóloga ABA e Fono).
Começa outra luta, à procura destes profissionais em Arujá.
Não tem!
Achamos uma clínica especialista de Fono em Guarulhos, e dois meses depois uma psicóloga que vinha em casa fazer a terapia. Ele começou a equoterapia nessa época também.
Ele tem condições de sair do espectro (tenho certeza que vai), os sintomas desaparecem e ele terá uma vida “normal”.
Levei ele até Miami, no neurologista que hoje é referência no assunto (o médico do filho do Marcos Mion)  e ele disse que estamos no caminho certo, para intensificar os tratamentos. E fechou o diagnóstico, sem dúvidas ele é autista.
Aqui no Brasil é muito difícil, pelo péssimo governo e pela ausência de profissionais, mas estamos fazendo tudo q está ao nosso alcance.
É uma batalha e uma vitória diária.
O dia mais difícil pra mim, foi quando o levei no Sabará e a enfermeira me deu senha preferêncial por ele ser autista. Fiquei arrasada, daria minha vida pra esperar 100 crianças serem atendidas antes de nós, mas hoje vejo que é necessário. Eles são impacientes e nervosos.
Em meio a tudo isso, não podemos esquecer que tenho o Arthur, uma criança também, que não entenderia se eu falasse,  que seu irmão é autista por isso ele tem tanta coisa pra fazer.
Para o Arthur os tratamentos eram diversão  e ele não fazia nada., chegou a me pedir pra fazer fono, tadinho.
Esse ano ele tá fazendo muitas atividades e está bem melhor (ano passado estava meio rebelde).
E por falar em Arthur, ele é o maior protetor e melhor amigo do irmão. Sem nem saber a importância de tudo isso. Cuida, não deixa ninguém chegar perto dele, nem nós podemos dar uma bronca no Théo que ele sai na frente falando que não é pra brigar com o irmão dele.
Hoje com 3 anos e com as terapias, a escola (que ajudou e ajuda muito) e com muito amor, o Théo não tem mais crises nervosas (nunca tomou remédio), atende ao nome, aponta o que quer e começou a falar as primeiras vogais. É carinhoso, inteligente e feliz!
O autismo tem um leque extenso e complexo de sintomas. Não existem dois autistas iguais.
E em meio a toda essa dificuldade, o que nós conseguimos é agradecer pelo Théo, se Deus quis assim, é porque somos capazes de cuidar e amá-lo.
E também enxergar a vida de um outro ângulo, mais puro e mais simples.”

A identidade da mamãe será preservada conforme solicitado, mas em nome do Afeto de Mãe agradecemos de ter compartilhado sua história que pode ser um alerta a muitos pais.

Parabéns por ser essa mãe dedicada e empenhada em buscar um diagnóstico correto e que te deixasse “segura” e por ser além de mãe, uma mulher muito forte mesmo com as dificuldades e surpresas que a vida nos reserva.

Publicado por: Bianca Trindade Bresciani

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