Papai no ar: Jefferson Marinho

Dando continuidade à nossa homenagem de dia dos pais.

Hoje o “papai de menina” como é chamado no Instagram conta sua história.


A nossa história começou em um dia em que perdemos uma vida.
Era para ser um sábado de festa, alegria e comemoração. Passamos a sexta-feira arrumando a casa para receber os amigos e comemorar o aniversário da minha esposa. No sábado sobraram poucas coisas para arrumar e tínhamos que levar nossa yorkshire chamada Pietra Catharina pratomar banho no petshop.
Acordei cedo, me arrumei, coloquei a coleira dela e fomos até o petshop enquanto a mamãe terminava os detalhes da festa. Estacionei o carro em frente ao pet, peguei ela no colo e num piscar de olhos, ela pulou. Deu dois trancos invertidos na coleira e escapou no momento em que um carro passava na avenida. Foi como imã puxada pela roda do carro. Não pude acreditar no que eu estava vendo. Ela tossia, não respirava direito, subi correndo para o petshopmas não teve jeito. Foi hemorragia interna. Ela faleceu no meu colo.
Senti uma tristeza tão grande na minha alma, e não sabia como ia fazer para chegar em casa e explicar que a nossa “filha” tinha falecido. Mas tive que fazer.
Mesmo antes disso acontecer, a minha esposa estava passando muito mal. Foram idas e idas ao pronto socorro e sem nenhum diagnóstico. Estava desesperado já. Pois na semana seguinte fomos novamente, ainda abatidos, a médica perguntou porque não fizemos um exame de gravidez. Até rimos! Minha esposa disse que tinha 99,9% de certeza que não estava grávida, mas para tirar a dúvida, fizemos o exame de sangue.
Nesse tempo conversei com uma pessoa próxima, para me ajudar a superar a perda da nossa Yorkshire, e ela me disse que algumas vezes as coisas acontecem realmente como devem acontecer (sem clichê). Que os nossos animais de estimação são anjos na terra, e que absorvem as coisas de ruim que acontecem conosco.
Minha esposa estava no trabalho quando saiu o resultado pela internet, e me ligou perguntando sobre os números. No laboratório que fizemos não saiu algo como “grávida”, ou “não grávida”. Saiu uma numeração e uma referência, em que dizia que acima de número X, era algo parecido como “positivo ou reagente”. Eu não entendia direito e acabei ligando para a minha irmã, ela simplesmente disse que a minha esposa estava “gravidíssima”, pois o número era exorbitante comparado com a referência.
Nesse momento a cabeça explodiu de felicidade! Liguei de volta e expliquei o que era, perguntamos para outras pessoas e pesquisamos na internet. Sim, tudo indicava que um bebê estava vindo! Simplesmente não conseguíamos acreditar! Aquele 0,01% mostrou que ela estava errada!
Então começaram as curiosidades e euforia. Como ele ou ela iria chamar, como seria o rostinho, o choro, como iríamos fazer com o quarto, móveis, berço, carrinho.. efizemos tudo justamente do jeito que queríamos.
Acompanhei todas as consultas, todos os exames e ultrassons. Quando soube que era uma menina, eu chorei igual a uma menina na sala de ultrassom e a minha sogra que também estava junto comigo, achou estranho. Lógico, um homem desse tamanho chorando desse jeito, mas era justamente tudo o que eu precisava saber.
Depois dos 9 meses de espera, depois de ter visto aquele nariz mais lindo no ultrassom, a ansiedade me sufocava com data da cesárea, que já estava marcada.
E então chega o dia, arrumamos as malas e fomos ao hospital. Era tudo novo para mim, imagina para a mamãe.Coloquei aquela roupa verde com a touca que só vemos na televisão, e entrei na sala de parto.
A mamãe já estava pronta e anestesiada. Eu estava totalmente perdido, sem saber o que fazer direito. Sabe aquele primeiro dia de aula em que você não conhece ninguém, não sabe o que vai acontecer e a matéria que você vai aprender? Eu estava assim. Só conhecia o cirurgião, pois foi ele quem acompanhou todo o pré-natal. Depois de 10/15 minutos, ele disse: Vai nascer!
Levantei sem saber direito o que fazia, apenas com a câmera na mão para não perder nada, e assisti e escutei a coisa mais impressionante que a vida pode me oferecer: o primeiro choro. O pulmão daquela nova vida estufando e se enchendo de ar, fazendo com que as vidas presentes naquela sala vibrassem de simplesmente, amor.
Me perdi naquele momento, e só fui me encontrar no quarto quando vi a bebê, que ainda estava enrolada no cobertor do hospital e um pouco inchada. Peguei ela no colo, sem medo, com coragem e amor, e disse: “Oi pretinha, sou teu pai”. As cores naquele momento ficaram mais vivas, como se tivessem mexido na saturação da minha vida. Tudo o que eu tinha vivido parecia que não tinha mais sentido e que agora tudo ia ter um significado de existência.
O nome dela é Helena Catharina, em homenagem a minha mãe que se chamava Madalena, e Catharina em homenagem a nossa yorkshire, por ter salvado as nossas vidas. Se tivéssemos comemorado o aniversário da minha esposa, e bebido o tanto que falamos que iríamos beber com os amigos, provavelmente a nossa filha não estaria aqui hoje.

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Ela é o que eu tenho de mais precioso na terra, e luto todos os dias para deixar lembranças e memórias boas. Pois quando eu me for, vai ser a melhor herança que deixarei para ela.
Se você tem filhos, se esforcem para serem lembrados. A lembrança e a história são as únicas coisas que se tornam eternas.
Um abraço,
Jefferson Marinho
Papai de Menina

Obrigada pela participação no nosso blog e um feliz dia dos pais!!!

Publicado por: Bianca Trindade Bresciani

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