Sedentarismo nas crianças é preocupante

Mais tempo em casa e menos atividades físicas estão deixando as crianças sem algumas habilidades motoras. Mude esse quadro.

O sedentarismo agrava a “síndrome da criança desajeitada”, também conhecida como Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) ou Dispraxia Motora.

Temos utilizado cada vez menos o corpo para nos movimentarmos. Pouco caminhamos, explorando rotas. Tudo isso interfere negativamente na orientação espacial. As crianças costumam ficar mais em casa nas horas de lazer, pouco correm ou pulam e muito menos praticam aquelas brincadeiras que envolvem esses movimentos (pega-pega, esconde-esconde, pular corda). Toda essa limitação prejudica a coordenação ampla.

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Quando éramos pequenos, escalávamos árvores e fazíamos malabarismos no parquinho e hoje, muitas vezes, não conseguimos imaginar nossos filhos fazendo o mesmo.

E pensando bem, muitos de nossos filhos não ousam fazer o mesmo. Não é impressão. Diversos especialistas notam que os nascidos no século 21 dominam menos certas habilidades físicas. Prova disso é que acampamentos infantis já começam a tirar da grade de atividades desafios que fizeram a alegria de gerações. Um acampamento no interior de São Paulo desistiu de fazer a travessia de um rio com cipós, por exemplo. As crianças não conseguiam mais agarrá-los como fizeram os seus pais.

Segundo os especialistas, as dificuldades se estendem a brincadeiras mais simples. Experimente atirar uma bola. Talvez a criança não consiga defender. Por não conseguir ou por estar proibida de fazê-lo. Nos Estados Unidos, por decisão da Federação Americana de Futebol, com o objetivo de evitar processos movidos pelos pais, desde 1 de janeiro de 2016, as crianças de até 10 anos estão proibidas de cabecear. Dos 11 aos 13 tudo bem, desde que nos jogos. Nos treinos, só com moderação.

O fato de pais e mães hoje terem mais informações sobre riscos os leva a ser excessivamente cuidadosos. “Acho que nossas mães eram menos encanadas e nos deixavam livres para explorar. Meu filho gosta de subir em tudo, acho que é coisa de menino, mas tenho medo que ele caia e se machuque feio. A gente o leva muito ao parquinho e pra jogar bola, mas ele tem um pouco de medo de balanço, por exemplo”, conta Gabriela Miranda, mãe de Ben e Stella, autora do blog Bossa Mãe.

Brincar lá fora é realmente cada vez mais difícil. Mesmo não tendo de atravessar um rio agarrado num cipó, o mundo parece perigoso demais até mesmo para cumprir o mínimo de 60 minutos de atividades físicas diárias recomendados pelos médicos. Contribuem paara esse cenário a violência urbana e a popularização dos jogos eletrônicos, acessados não apenas via consoles de videogame, mas também nos computadores, tablets e smartphones.

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Os especialistas estão preocupados. Por mais que nos impressionemos com a habilidade dos filhos com os jogos interativos, o excesso distorce o desenvolvimento cerebral e a coordenação psicomotora das crianças cada vez mais precocemente. É o que afirma um grupo de profissionais da área de saúde da Clínica de Adolescentes, no Rio, formada pela pediatra Evelyn Eisenstein, mãe de Dominica e Matheus, o neuropediatra Eduardo Jorge Custódio da Silva, pai de Eduardo e Fernando, a fisioterapeuta e especialista de RPG Denise Del Peloso, mãe de Luísa e Vitor, e o pesquisador Fabrício Vasconcellos, do LABSAU (Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde) da UERJ.

Esse time descreve situações tão comuns quanto preocupantes. “A mãe de uma menina de 2 anos se queixava, na consulta, de que a filha não andava direito e nem sabia correr. Essa mãe trabalhava em casa e colocava a menina no carrinho, pois a garota gostava de ver a Peppa Pig na TV. A filha ficava quietinha e até dormia e comia enquanto isso. ” A orientação dos profissionais foi deixar a criança no chão da sala cercada por brinquedos coloridos e de montar. O interessante foi ver que, aos poucos, a criança foi sendo estimulada e melhorou todo o seu desenvolvimento psicomotor e coordenação.

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Fonte de pesquisa: Texto de Larissa Purvinni

Fotos: Google

Postagem por Carla Ikeda Biscaldi Clobucar

 

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