Setembro Amarelo e a abordagem de saúde mental com crianças

Setembro é o mês voltado para a reflexão acerca do suicídio e outras questões sobre saúde mental que afetam grande parte da população mundial. Um ponto ainda mais delicado nesta área é a abordagem destes tópicos com as crianças.

Os números assustam: dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram que o suicídio é a terceira maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos, e a sétima entre crianças de 10 a 14 anos. Nos Estados Unidos o cenário é ainda mais grave. Por exemplo, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país, a morte de meninas entre 15 e 19 anos atingiu o recorde em 40 anos.

Como conversar  com  as crianças da melhor forma sobre este assunto?

Para a CEO e fundadora do aplicativo psicossocial Timokids Fabiany Lima, este tema deve ser tratado com calma e muito diálogo.

Seguem alguns pontos elencados por Fabiany para que a conversa sobre saúde
mental flua da melhor forma possível no ambiente familiar:

Diálogo primeiro – Não temos muito controle de quando este tema pode surgir.
Obviamente, saber onde e como nossos filhos ficaram sabendo sobre isso é importante. No entanto, o primeiro passo deve ser não julgar e ouvir. Portanto, ao invés de inicialmente ficarmos preocupados para saber a origem de algum questionamento,  devemos  ouvir  as  crianças e depois orientá-las. Muitas vezes, um leve apavoramento pode calar algo que ela queira contar e cortar um vínculo de honestidade muito poderoso.

Orientação – Criar um ambiente sadio e seguro para que as crianças possam se expressar é muito importante. Parece tarefa simples, mas isso significa falar com franqueza e com a linguagem apropriada sobre temas difíceis os quais eles terão contato ao longo da vida. Bullying e assédios, por exemplo, são tópicos atrelados às condições psicológicas e devemos orientar sempre. Compreender o contexto em que elas estão inseridas para darmos os melhores conselhos ou as mais
apropriadas advertências.

Valores  –  A  cobrança  por ter uma vida que não é sua é um tema que surge muito forte com o advento das redes sociais.
Nossos filhos são nativos digitais, portanto, os gadgets fazem parte de suas vidas desde sempre. Eles crescem com um nocivo culto ao modo de vida perfeito, com fotos e vídeos de objetos e estilos de vida ostentados como se o acesso a isso fosse comum. É preciso ter fortes valores dentro de casa para que haja segurança em ser quem é, em um universo onde tudo te diz para se adequar.

Sem julgamentos – Não utilizar termos pejorativos quando nos referimos à certas condições psicológicas é essencial para que não limitemos os horizontes  de  nossos  filhos.  Também  não  devemos  falar  opiniões  muito particulares  a  respeito  de  alguém  que  possa  ter  tirado a própria vida. Temos que deixar nossos preconceitos de lado para que eles não os reproduzam. Nós ensinamos nossos filhos e eles nos ensinam muito mais.

Aqui em casa, procuramos sempre estar atentos ao comportamento, pois muitas vezes a manifestação é silenciosa demais e na correria em que todos nós vivemos pode passar algo despercebido. Toda atenção ainda é pouca. O mundo anda complicado demais e precisamos tentar dar estrutura emocional aos nossos filhos desde muito pequenos.

Imagem: Acervo pessoal de Carla Biscaldi

 

 

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